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5x Petróleo

ENTREVISTA COM MARCO POLO DE MELO LOPES 29/07/10



A 5X Petróleo dessa semana é com o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Melo Lopes. Na entrevista, o executivo fala sobre o recente anúncio da Transpetro que irá construir navios no Brasil com aço importado da China e a expectativa do Instituto para os próximos meses desse ano.




1X Recentemente, a Transpetro anunciou que irá construir navios no Brasil com aço importado da China. Segundo o presidente da companhia, Sergio Machado, os chineses ofereceram o preço mais baixo numa concorrência de que participaram 15 siderúrgicas, de 8 países. Como o senhor avalia essa decisão da Transpetro?

A aquisição, pela Transpetro, de aço da China para a construção dos navios para o Promef é um desserviço. Pretendo conversar com o presidente da Transpetro, Sergio Machado, para tentar fazer com que o fornecimento de aço para o Promef seja nacional. Na China, 70% das empresas são controladas pelo governo, o câmbio não é flutuante como ocorre no Brasil, há menos impostos e a indústria chinesa conta com amplos subsídios governamentais. A importação de aço chinês pela Transpetro acaba tirando empregos no mercado brasileiro.

2X O senhor concorda com a afirmação de que o preço do aço brasileiro está superior ao cobrado por outros países?

Se nós compararmos o preço do aço brasileiro com o do mercado internacional, certamente haverá uma diferença, porque o mercado internacional hoje está super ofertado, tem preços deprimidos, práticas predatórias, incentivos. Quando se compara o preço no mercado interno nacional com o preço no mercado interno de outros países, a afirmativa de que o aço brasileiro é mais caro perde o sentido

3X Como o senhor avalia o setor de aço no Brasil após a descoberta do pré-sal?

Diante da expectativa de crescimento da demanda, a indústria brasileira do aço estima encerrar 2010 com produção de 33,2 milhões de toneladas para aço bruto e 20,6 milhões de toneladas para laminados. As exportações são estimadas pelo IABr em 11 milhões de toneladas e as importações em 4,2 milhões de toneladas.

4X A produção global de aço bruto subiu 18% em junho ante o mesmo mês do ano passado, para 119 milhões de toneladas. Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas de aço em junho, 47% acima de junho de 2009. Os dados foram divulgados pela World Steel Association. Como o senhor avalia a atual capacidade de produção de aço nacional?

Os números demonstram que houve expressiva retomada do nível de atividades do setor, porém com resultados mensais ainda inferiores aos níveis recordes atingidos em meados de 2008, no período pré-crise. Essa retomada do crescimento fica destacada quando se observa o consumo aparente. O total em junho foi de 2,4 milhões de toneladas. De janeiro a junho de 2010, a soma foi de 13,3 milhões de toneladas, 60,3% a mais em relação a igual período do ano anterior.

5X Qual sua expectativa para o setor de aço do Brasil nos próximos anos?

O Instituto Aço Brasil estima que o consumo aparente de produtos siderúrgicos em 2010 deve atingir o nível recorde histórico de 25 milhões de toneladas, representando aumento de 34,5% em relação a 2009. Esse elevado índice de crescimento reflete base de comparação baixa, mas principalmente o resultado expressivo da economia nacional e dos seus impactos na demanda dos principais segmentos industriais intensivos em aço. Destaca-se nesse aspecto o forte aquecimento na área da construção civil – tanto habitacional quanto em obras de infraestrutura – a persistência do crescimento da indústria automotiva, apesar da redução dos incentivos tributários, assim como de bens de capital e linha branca.

Por Bruno Hennington
bruno.h@nicomexnoticias.com.br


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