A última semana para o setor econômico contou com a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega de que o déficit na conta corrente - balanço do Brasil com o exterior - não ameaça o crescimento da economia, além de ser passageiro. Apesar de toda a repercussão negativa em relação ao registro do déficit, o ministro afirma que na sua avaliação, a partir de 2012, deverá ocorrer uma melhora do resultado para o país. Segundo ele, o déficit já estava previsto e é decorrente do "sucesso do Brasil" em relação a outros países. Ele prevê que o déficit em conta corrente deve fechar 2010 em cerca de US$ 45 bilhões a US$ 48 bilhões, o equivalente a 2,33% do PIB.
Outra notícia que repercutiu nos principais noticiários do país foi que a produção industrial brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre deste ano. Esse dado foi divulgado pela Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala em que valores acima de 50 pontos indicam crescimento, o indicador de evolução da produção em junho ficou em 51,8 pontos, revelando que atividade manteve-se praticamente estável em relação ao mês anterior. Em maio, o índice havia ficado em 54,9 pontos. O uso da capacidade instalada (UCI) ficou abaixo do usual para o mês de junho.
Pela mesma metodologia, o indicador ficou em 48,4 pontos no mês passado, enquanto em maio havia registrado 50,3 pontos. "O indicador mostra que a atividade industrial não está superaquecida", afirmam os responsáveis pela pesquisa. Ainda assim, de acordo com a nota, a indústria operou com 75% da capacidade instalada no segundo trimestre de 2010, um ponto porcentual acima do desempenho obtido nos três primeiros meses do ano.
Ainda no decorrer da semana, outros relatórios econômicos foram divulgados. Na quinta-feira, dia 28, foi anunciado que as contas do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) apresentaram em junho um superávit primário de R$ 631,5 milhões. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, no primeiro semestre o superávit acumulado é de R$ 24,832 bilhões, o equivalente a 1,46% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado no primeiro semestre é R$ 6,293 bilhões superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o superávit estava em R$ 18,539 bilhões, ou 1,24% do PIB. Em junho, as contas do Tesouro Nacional apresentaram superávit primário de R$ 3,481 bilhões.
BC dá sinais de parada na alta de juros
No dia seguinte, o Banco Central foi à público e deixou claro que o ciclo de aumento de juros – iniciado em abril passado e que já elevou a Selic de 8,75% para os atuais 10,75% ao ano – pode ter até terminado. Outro sinal é que, para o BC, o cenário econômico, sobretudo o internacional, mudou bastante em um mês. Essas são as principais avaliações dos especialistas, ao lerem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quinta-feira (28), e que corroboram as avaliações de modo geral, as expectativas são que, no máximo, a Selic, passará a 11,25% ao ano neste ano, nas contas mais pessimistas.
Por Beatriz Silva
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