Na última edição do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que terminou no dia 31, o evento lançou uma nova luz sobre o recorrente tema do aquecimento global. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, anunciou a iminente criação de um “fundo verde” de US$ 100 bilhões, destinado a ajudar os países a lidarem com o problema. Menos de uma semana depois, na última terça-feira, dia 2, os EUA e a Europa garantiram a continuidade do projeto que mede a elevação do mar, assegurando o lançamento do satélite Jason 3, em até dois anos.
O encontro em Davos, que poderia ter como ponto alto a entrega do prêmio “Estadista Global” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ausente após uma crise de hipertensão, acabou por acentuar a preocupação com a questão do aquecimento, também global. Segundo Strauss-Kahn, o FMI, em breve, irá começar as conversas com presidentes de bancos centrais e ministros de Finanças ao redor do mundo para concretizar o nascimento do Fundo Verde.
“Eu não posso acreditar que não tenhamos uma solução para esse enorme problema”
De acordo com nota publicada no site da entidade, o dinheiro disponível para os empréstimos do Fundo Verde virá dos Direitos Especiais de Saque (SRDs, em inglês), o ativo financeiro do FMI. Atualmente, o montante em uso ao redor do globo soma SRD 204.1 bilhões (equivalentes a US$ 324 bilhões) e Strauss-Kahn diz ser necessária a liberação extra de SRDs para um novo modelo de crescimento econômico com baixa emissão de carbono. “Eu não posso acreditar que não tenhamos uma solução para esse enorme problema”, disse um otimista Kahn, em Davos, sobre o aquecimento global.
Se em curto prazo medidas estão prestes a serem tomadas, EUA e Europa garantem a continuidade, por um longo período, de um projeto já existente e importante na luta contra as conseqüências do aquecimento. Em dois anos, será lançado o Jason 3, próximo satélite da missão conjunta que, há 18 anos, estuda os oceanos e monitora o nível de elevação dos mares, que sobe 3mm ao ano. Em 2013, quando o terceiro equipamento estiver em órbita, será possível cruzar dados com o Jason 2, seu antecessor, e minimizar erros de cálculo.
Para frear o aumento das temperaturas, é necessário diminuir a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. No final de 2009, em dezembro, aconteceu, na Dinamarca, o maior encontro mundial para tratar das mudanças climáticas: a Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Em sua 15ª edição, a COP 15 acabou sendo um fracasso e terminou sem um acordo entre os participantes. Diante dessa realidade, medidas como o Fundo Verde e a garantia de lançamento do Jason 3 soam mais sérias e eficazes do que reuniões de cúpula anuais.
Nicomex Notícias – Redação
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