Na última semana, a inauguração de um grande gasoduto da Petrobras marcou o setor nacional de gás. Localizado entre Macaé e Duque de Caxias, o gasoduto Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III) possui 28 polegadas, e é considerado o maior em diâmetro da América do Sul. O gasoduto faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem a maior capacidade de transporte (40 milhões de m³/dia) entre todas as unidades do país.
De acordo com nota da Petrobras, o gasoduto pode transportar o gás natural produzido nas bacias de Campos e Espírito Santo; o gás importado da Bolívia, que chega ao estado fluminense por meio dos gasodutos Campinas-Rio e do Japeri-Reduc; e o gás proveniente do Terminal de Regaseificação de GNL (gás natural liquefeito) da Baía de Guanabara. Além disso, com a conclusão do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (GASTAU), ainda neste ano, o Gasduc III poderá receber o gás procedente da Bacia de Santos.
Com alta complexidade construtiva e 179 km de extensão, a obra teve investimentos de R$ 2,54 bilhões e gerou cerca de 27 mil empregos diretos e indiretos. Um dos principais desafios foi a construção de um túnel, o primeiro no Brasil para passagem de dutos. A linha-tronco do gasoduto atravessa oito municípios do Rio de Janeiro (Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Magé e Duque de Caxias), passando por áreas urbanas em alguns deles.
Plataformas de gás natural
Ainda na última semana, durante a inauguração do gasoduto, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, informou que a estatal decidiu rever o cronograma de produção de suas plataformas de gás natural na Bacia de Santos, nos campos de Mexilhão e Uruguá-Tambaú, que entram em operação este ano. "Vamos postergar o ramp-up (aumento da produção) destas unidades, na medida em que existam alternativas mais vantajosas para atender a demanda por gás no País, como é o caso do Gás Natural Liquefeito (GNL), que estamos importando constantemente para Pecém, aproveitando os bons preços atuais existentes no mercado internacional", explicou a diretora.
A diretora nega que a demanda nacional por gás esteja muito abaixo da oferta da Petrobras, fazendo com que algumas plataformas localizadas na Bacia de Campos e na Bacia do Espírito Santo estejam desativadas. "Se não fosse o arrefecimento da economia em 2009, não vou dizer que teríamos falta de gás natural, mas estaríamos muito pressionados e bem próximos da capacidade máxima da oferta", disse.
Por Bruno Hennington
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